Campanha reforça a importância do tratamento renal e apresenta histórias de pacientes que continuam desenvolvendo seus projetos e atividades mesmo após o diagnóstico
Com o tema “A vida não para no diagnóstico”, o Dia D da Hemodiálise chama a atenção para a realidade de milhares de pessoas que convivem com a doença renal crônica (DRC) e precisam incluir o tratamento em sua rotina.
Na Bahia, a atuação da Santa Casa de Ruy Barbosa, por meio do Instituto de Nefrologia Alayde Costa (INAC), evidencia a dimensão da assistência especializada. A instituição realiza, em média, 50 mil sessões de hemodiálise por ano.
O atendimento corresponde a aproximadamente 45% dos tratamentos nefrológicos realizados em Salvador e a 19,15% dos atendimentos em nefrologia em todo o estado da Bahia. Os números demonstram a relevante participação da instituição na assistência aos pacientes que necessitam de terapia renal substitutiva e consolidam a Santa Casa de Ruy Barbosa como referência no cuidado renal no estado.
Mais do que destacar o tratamento, a proposta do Dia D é ampliar o olhar sobre a pessoa que vive com a doença renal crônica. A hemodiálise passa a fazer parte da rotina, mas o diagnóstico não precisa representar o fim de projetos, relações, atividades profissionais ou momentos de lazer.
Com acompanhamento adequado e respeitando as condições clínicas de cada paciente, é possível adaptar a rotina e continuar realizando atividades que proporcionam autonomia, satisfação e qualidade de vida.
A história de Raimundo, paciente em tratamento de hemodiálise há quatro anos, exemplifica essa realidade. Durante muitos anos, ele trabalhou como mecânico de caminhões a diesel. Após o diagnóstico da doença renal crônica, precisou deixar a atividade profissional, mas encontrou uma forma de continuar próximo dos motores, área pela qual mantém grande paixão.
“Eu trabalhei durante anos como mecânico de caminhão a diesel. Depois que descobri a doença renal, não pude mais continuar trabalhando da mesma forma. Com o tempo, por causa da minha experiência, fui convidado por um colega para ajudá-lo com motores de barcos e lanchas. Hoje, faço isso como um hobby, porque é algo que eu amo e que me faz muito bem”, conta Raimundo.
Para ele, a hemodiálise não representa o fim das atividades que lhe proporcionam prazer e satisfação.
“A hemodiálise não me impede de fazer o que eu gosto. Pelo contrário, o tratamento me ajuda a ficar bem para continuar fazendo essas coisas. A vida não parou por causa do diagnóstico. Eu precisei adaptar algumas coisas, mas continuo fazendo aquilo que me traz satisfação”, afirma.
A médica nefrologista Fernanda Albuquerque ressalta que o cuidado com o paciente deve ir além do tratamento da doença.
“A doença renal crônica traz mudanças importantes para a rotina, especialmente para quem precisa realizar hemodiálise. Por isso, é importante lembrar que o paciente não é apenas o diagnóstico. Existe uma história, uma profissão, uma família, sonhos e atividades que continuam fazendo parte da vida. O tratamento deve caminhar junto com esse cuidado integral”, destaca.
A campanha reforça que, embora a doença renal crônica exija cuidados contínuos e adaptações, o tratamento também possibilita que os pacientes preservem sua autonomia, mantenham vínculos e continuem construindo novos projetos. O diagnóstico transforma a rotina, mas não precisa interromper a vida.